Photo by Ksenia on Unsplash

About a year and a half ago, I was seized by a strange form of existential dread. It was abrupt, challenging my mental habits, which I had deemed fortifying. Almost every day I used to imagine that my life and those of the people I care for were finite — and that there is nothing wrong with this natural fact.

I intended to increase my appreciation for what I have in the here and now, avoiding false hopes.

The inspiration for my daily routine came chiefly from Marcus Aurelius’ Meditations. The emperor-and-philosopher insists a lot on the fleeting nature of…


Photo by Shashank Sahay on Unsplash

Como falaremos de um ícone da direita brasileira, começarei aludindo a um questionamento de Louis Veuillot (1813–1883) com o qual me deparei, anos atrás. Naquela época, eu tinha o hábito de ler os escritores mais radicais que encontrasse, inclusive os ultrarreacionários.

Em algum ponto de suas obras, aquele grande defensor do catolicismo atuante na política — uma das inspirações para o Monsenhor Lefebvre (1905–1991) e para a fundação da TFP (1960) — perguntava-se se um ateu que ficasse muito doente seria capaz de negar-se a ser levado a um hospital religioso ou a ser atendido por freiras enfermeiras, em nome…


Photo by Mattia Faloretti on Unsplash

Como pai, tenho meus temores. Um deles está ligado a uma pergunta, à qual não desejo responder tão cedo:

— Pai, por que temos que morrer?

Para não deixar minha jovem interlocutora sem algo, eu certamente lhe diria que as coisas todas têm começo, meio e fim, que todos os seres passam por isso.

No lugar dela, eu talvez me sentisse insatisfeito com a resposta, que certamente poderia ser atalhada com:

— Mas por que tudo chega ao fim?

O que me deixaria na posição de quem nada tem a dizer.

Nas páginas que lemos antes de dormir, temos tangenciado…


Photo by Daniel von Appen on Unsplash

O primeiro diagnóstico de Covid-19 no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro. Hoje, 164 dias depois, chegamos à marca de 100 mil mortos pela doença.

Para comparação, a primeira pandemia do milênio, a do vírus influenza H1N1, vitimou pouco mais de dois mil brasileiros em seu primeiro ano. Ao todo contaminou, em 2009, 53.797 pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde. O surto do novo coronavírus se aproxima da casa dos 3 milhões de infectados somente em nosso país.

E a subnotificação é imensa. E o futuro, uma estrada quase sem impedimentos.

Escrevi algumas vezes sobre minha perspectiva da…


Photo by Clem Onojeghuo on Unsplash

Tenho sido um mau cronista. Em 26 de fevereiro, eu me propusera a falar de minhas impressões sobre a pandemia a cada vinte dias exatos, mas fui relapso nas últimas semanas. Esta é, portanto, uma tentativa de reatar com a minha série de textos sobre a crise em que nos encontramos — imersos — e com um baita lastro nos pés.

Se interessar, estão aqui a primeira, a segunda e a terceira partes da coisa. Retratos do passado, do irredimível passado.

Em casa há 64 dias, devo principiar confessando o meu cansaço. Há também o fastio, mais espiritual — mas…


Photo by Nayani Teixeira on Unsplash

Um chiste que costumo contar de mim para mim mesmo é que, para suportar a realidade de nosso país, só mesmo com dois “-ismos”: o alcoolismo ou o estoicismo.

É sempre um risco explicar piadinhas supostas, mas tenho razões didáticas. Assim, os problemas brasileiros seriam tão imensos, tão presentes, que, para “sobreviver” a eles, ou devemos buscar refúgio nos narcóticos, ou adotar uma filosofia de vida baseada na resistência e na resiliência. Tertium non datur: não haveria terceira opção.

Exagero, sem dúvida. Cada um está livre para decidir de por si como encarar a realidade brasileira. Aos que a julgam…


Photo by Isaac Quesada on Unsplash

Neste preciso momento, boa parte da população mundial está confinada em domicílio. Com ou sem estímulo do governo, bilhões de pessoas, nos cinco continentes, têm evitado sair de casa para frear o avanço da COVID-19.

Não sou exceção: minha família e eu nos isolamos desde o dia 18 de março último. Só tenho posto o nariz para fora em idas ao mercado, ao banco, ao pet shop, ao local de coleta de recicláveis.

Nem todos têm seguido essas regras tão à risca. Se meu ponto de observação é representativo, vejo sexagenários particularmente recalcitrantes, não dando dispensa às diaristas que lhes…


Imagem de computador do novo coronavírus (fonte)

Vinte dias atrás, publiquei um texto aqui no Medium, “O vírus e nós”, em que refletia sobre as dificuldades que se aproximavam da sociedade brasileira com o registro do primeiro infectado pela cepa de coronavírus descoberta na província chinesa de Hubei.

Não sou uma Cassandra — nem me imagino como tendo vocação para fazer alertas que serão acolhidos por ouvidos moucos. Contudo e mesmo para minha surpresa, foi um texto que despertou bem pouco interesse. Era Quarta-Feira de Cinzas.

Mais uma vez, deixo claro: muito verossimilmente, o que vem por aí não é um apocalipse, mas uma grande crise. …


Photo by Aziz Acharki on Unsplash

Se me atenho ao pouco que me é dado saber, constato em primeiro lugar que estou vivo. Vivo — e neste instante, que não se repetirá. Ele, que foi antecedido de inúmeros outros (para sempre perdidos), em breve se desvanecerá por seu turno. E assim por diante.

Os estoicos romanos tinham o costume de referir-se ao passado como a um abismo, dizendo o mesmo do futuro. “Tudo o que você tem em mãos é o presente”, insistiam eles, “um lapso de tempo comprimido entre dois fossos de igual inacessibilidade”. …


Photo by Free To Use Sounds on Unsplash

A estas alturas, já existe a confirmação de um caso de coronavírus no Brasil. Trata-se de um senhor de 61 anos, que passou alguns dias na Lombardia (norte da Itália). Depois da viagem a trabalho, retornou a São Paulo. Foram cerca de quatro dias até que os sintomas se manifestassem. Nesse ínterim, disse ter se relacionado com umas trinta pessoas, em pleno Carnaval.

O contágio não é tão simples, a crer em nosso Ministro da Saúde: seria facultado apenas pelo contato íntimo.

Ainda assim, a possibilidade de que nosso Paciente Zero já tenha infectado um punhado de paulistanos não é…

Donato S. Ferrara

Professor e administrador escolar. Escreve também em devitastoica.com.

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